Tudo o que você precisa saber sobre o Real Digital

Tudo o que você precisa saber sobre o Real Digital

Na última segunda-feira (24), o Banco Central do Brasil deu mais um passo na direção da digitalização ao apontar que deseja lançar sua própria moeda digital. Essa moeda será o Real Digital, uma extensão do dinheiro local. Ele virá com o intuito de baratear as transações de pagamentos. Além disso, pretende ampliar as possibilidades de transações, inclusive no varejo. O próximo passo do Banco Central é ouvir a população e receber sugestões sobre o tema para que o Real Digital seja lançado nos próximos em até três anos.

O BC apontou que essa evolução do dinheiro terá o foco na “Internet das Coisas”, tecnologia que conecta objetos convencionais à internet. Outra tecnologia que poderemos ver na nova moeda é a integração com os contratos inteligentes do meio blockchain. Até mesmo o dinheiro programável entrará como uma funcionalidade na moeda.

A centralização do Real Digital

Semelhantemente aos projetos de moedas digitais dos demais países, como a China, o Real Digital não será um criptoativo, como o Bitcoin. A moeda do BC terá um lastro no dinheiro fiduciário corrente no país. O Real Digital será custodiado por instituições financeiras. Sendo assim, o saldo estará sempre dentro de um banco e as transações financeiras ocorrerão por intermédio do sistema bancário.

Olhando esse cenário, vemos que o dinheiro mesmo digital, ainda estará fortemente centralizado. Afinal, não será possível fazer transações sem a intermediação do sistema bancário. Algo muito distante das transferências de pessoa para pessoa no mercado blockchain.

O que difere o Real Digital do Real Convencional

Veremos a diferença no momento em que os ativos ficam sob custódia. O papel moeda de hoje fica depositado em instituições privadas, os bancos. Esse dinheiro depositado em uma conta corrente do cliente bancário pode ser utilizado pela instituição para outras operações, como conceder empréstimos. Sendo assim, o dinheiro fica ligado à falência bancária e os clientes perdem seus valores através dela.

Por outro lado, o Real Digital estará ligado apenas à falência soberana. Ou seja, de o país literalmente quebrar. De acordo com o BC, essa é uma possibilidade muito remota. É importante apontar que o real digital não poderá ser utilizado pelos bancos para seus sistemas de empréstimos.

Não está claro se o Real Digital terá o mesmo valor que o real convencional, se o brasilerio poderá trocar de forma 1:1. O banco apontou que inicialmente os dois poderão ter o mesmo valor, mas com o tempo, devido às forças do mercado, esse valor poderá divergir. Até mesmo o valor do real digital frente às demais moedas mundiais pode ter uma cotação diferente do papel moeda. Apesar de essa cotação ainda ser incerta, o BC apontou que as duas moedas poderão ser trocadas entre si.

Qual a diferença do Real Digital para o PIX?

O PIX é um sistema de pagamentos instantâneos que não depende de dia e nem horário para funcionar. PIX não é uma moeda. A autarquia apontou que a moeda digital que será lançada é um meio de pagamento, assim como o real brasileiro. O real digital pode ser uma forma de o indivíduo ter mais uma opção de como deseja guardar seu dinheiro.

O Real Digital é uma ameaça ao mercado de criptoativos?

Embora as moedas digitais tenham o intuito de serem uma resposta ao mercado de ativos digitais, elas não são uma ameaça ao Bitcoin e aos demais criptoativos. As moedas dos Bancos Centrais são centralizadas, conforme observado acima. Mesmo que as instituições apontem que há um risco remoto da falência do país, essas moedas possuem pontos únicos de falha. O BTC, por exemplo, é totalmente descentralizado. Como resultado, a falência de um banco, país ou uma mineradora não destruirá sua existência.

A corrida dos bancos centrais está muito longe do que o mercado blockchain já construiu e continua evoluindo. Enquanto um Banco Central demora anos para lançar uma moeda digital, os criptoativos que realmente conhecem as dores dos usuários estão sendo lançados e cavalgando na liderança. O que as moedas dos bancos fazem é apenas dar mais notoriedade para o ambiente do Bitcoin e das altcoins.