As Ações da Via Varejo são opção para crise. Descubra o porquê!

As Ações da Via Varejo são opção para crise. Descubra o porquê!

Embora o mercado não esteja em seus melhores momentos por causa da crise do coronavírus as ações da Via Varejo vêm apresentando um desempenho razoável desde o início do ano. Confira nesse post quais medidas fizeram a empresa contornar o momento instável, tanto do fator externo, quanto interno da companhia, que passa por um período de reestruturação desde junho de 2019.

Panorama atual e o coronavírus

A Via Varejo é líder no Brasil em vendas de móveis, eletrodomésticos e eletrônicos. Possui mais de 1071 lojas de duas marcas diferentes, Casas Bahia e Ponto Frio. As duas bandeiras contam com mais de 60 milhões de clientes.

Além dessas, também faz parte do grupo, a fábrica de móveis, Bartira, o e-commerce Extra.com e o VV Atacado que revende para varejistas. A empresa também oferece serviços financeiros pelo banco digital banQI desde 2019 . Muito recentemente, em 22 de maio, a empresa adquiriu os 20% restantes das ações da Airfox, a fintech norte-americana que desenvolveu o app do Banco virtual.

Apesar de a empresa estar passando por um turnaround desde julho de 2019, enfrentar a crise comum a todos, o coronavirus e ter iniciado 2020 com uma dívida de quase 2 bilhões de reais, suas as ações oscilaram dentro de valores considerados bons.

No início de janeiro variou entre 15 a 11 reais até cair para 8,50 no dia 12 de março quando a crise sanitária foi deflagrada e continuou caindo até 3 abril. Até que após a compra da Airfox voltou a ter alta.

Ações Via Varejo. Gráfico janeiro a maio 2020

Ações Via Varejo oscilam em 2020, mas é opção. Fonte Investing.com

Enfrentando um cenário, aparentemente, desfavorável, a empresa vem demonstrando habilidade para manter-se firme no mercado. A nomeação de Roberto Fulcherberguer, em 2019, como CEO foi fundamental para a empresa se sair bem durante a crise. Ele tomou medidas assertivas que valorizaram o mercado online.

Ações estratégicas

Após o fechamento de todas as lojas físicas da companhia no dia 21 de março por conta da COVID-19, Fulcherberguer criou a campanha “Me chama no zap” a fim de usar a tecnologia para aproximar vendedores e clientes que estavam em quarentena.

Certamente, a ação foi fundamental para manter a receita, em vista de a medida ter representado 20% das vendas da Via Varejo.

Outra deliberação positiva foi a compra da start up curitibana Asap Log. Especialista em logística de entregas para e-commerce, a ação deu continuidade ao crescimento no número de usuários das lojas virtuais e donwloads do aplicativos da companhia.

Airfox

Devido à compra dos 20% restantes das ações da fintech Airfox os papeis da Via Varejo tiveram uma valorização de mais de 150% em um mês.

A Via Varejo afirma que a nova aquisição trará mais integração dos sistemas da empresa com o aplicativo banQi. Uma das novidades com a compra total das ações será a oferta de empréstimo que era discutida desde o ano passado, mas não estava disponível. No entanto, ficando com 100% das ações da empresa americana, isso mudou.

Em virtude de a Airfox ser a criadora da criptomoeda AirToken (AIR), que opera na blockchain Ethereum, a possibilidade de utilizar a cripto para facilitar empréstimos e fornecer crédito P2P (ponto a ponto) para desbancarizados se torna uma realidade por ser intermediada pelo token.

Mesmo quem não tem nota para receber crédito, pode conseguir financiar empréstimos por meio da plataforma. A análise se baseia na movimentação da conta digital e em machine learning, uma técnica de inteligência artificial.

A Airfox afirma que as taxas de juros cobradas nos empréstimos são menores do que no mercado. Enquanto cartões de crédito costumam cobrar de 8 a 10% ao mês mesmo com Selic baixa, usuários do banQi pagariam entre 3% e 5% por mês.

Além de serviços de empréstimos e fornecimento de crédito o aplicativo já oferecia desde 2019, por meio de uma conta é pré-paga, acesso a cartão de débito sem anuidade o qual permite que os clientes façam compras em qualquer estabelecimento, depósitos, saques e transferência monetária para qualquer banco, gratuitamente.

Ademais, o app banQi permite aos clientes pagar boletos, contas de água, luz, telefone, fazer recarga de celular e cartões de transporte público, compra de créditos para usar no Google Play, Playstation, Uber, entre outras facilidades.

Saiba mais

Em 12 de setembro de 2018 foi celebrado contrato entre a start up norte americana e a Via Varejo. Em junho do ano seguinte a parceria entre as empresas cresceu e elas anunciaram o lançamento do ‘banQi’. Em fevereiro deste ano, foi anunciado a compra de 80% das ações da fintech, que culminou na compra de 100% das ações no dia 22 de maio de 2020. A varejista passa então a ser dona da empresa de desenvolvimento tecnológico e inovação em serviços digitais.

Resultados

A aquisição da Airfox faz parte do escopo de atividades do processo de turnaround que a companhia vem passando desde o segundo semestre de 2019, o que resultou na realização da maior Black Friday do Brasil com 48% do volume de vendas, aproximadamente R$1,1 bilhão em um dia.

Ao mesmo tempo, ocorria um crescimento exponencial no número de downloads da plataforma digital da Via Varejo, facilitando pagamentos e ajudando a empresa manter suas receitas.

“No primeiro trimestre deste ano conquistamos um aumento de 100% na abertura de contas no banQi. Além da marca de 1 milhão de downloads do app, com 300% de aumento de pagamentos de boletos e 117% na inclusão de carnês pela ferramenta”, afirmou Andre Calabro, diretor executivo da Via Varejo.

Claramente, a contratação de Fulcherberguer, a aquisição da empresa de logística e da fintech estão sendo essenciais para que as ações da Via Varejo se mantenham atraentes para investimento, mesmo frente à crise sanitária.

Ainda de acordo com Calabro, a pandemia do novo coronavírus acelerou o processo para “fortalecer ainda mais a nossa operação digital por meio de investimentos em tecnologia, inteligência de dados e logística”.

Igualmente aos números animadores, outro fator que trouxe confiança aos investidores e, consequentemente fez as ações da Via Varejo permanecerem atrativas, foram os desfechos positivos do primeiro trimestre de 2020. Confira a seguir:

Relatório 2020

Mesmo com o fechamento total de suas lojas físicas por conta do coronavirus, a empresa conseguiu reverter o prejuízo e lucrou 13 milhões de reais no primeiro trimestre de 2020, sendo que 7,8 bilhões vieram das vendas online segundo o indicador GMV. E se não tivesse havido o impacto da crise sanitária o lucro teria sido de 100 milhões. Confira alguns números:

• GMV Total de R$7,8 bilhões, sendo 27% de participação do canal Online, com crescimento de 8,0p.p. acima do 1T19. Em março/20 o canal Online já representou 34% do GMV Total.
• o Crescimento robusto de 52% no 1T20 e 60% do 1P em mar/20.
• o Crescimento robusto de 27% no 1T20 e 37% do 3P em mar/20.
• o Crescimento exponencial de usuários ativos nos apps, de 1,5 milhão em junho/19 para
• 8,0 milhões em mar/20. Em abril/20 chegamos em 11,2 milhões

Após o fechamento das lojas, em levantamento realizado pela GfK – Growth from Knowledge, por meio de pesquisa de market-share do mercado online nas categorias nas quais a Via Varejo trabalha, constatou-se que:

1. Na 13ª semana do ano de 2020 (contra a mesma semana de 2019) a Companhia cresceu 42,6% frente ao crescimento de 7,8% do mercado;
2. Na 14ª semana a Companhia cresceu 83% frente ao crescimento de 63% do mercado;
3. Na 15ª semana a Companhia cresceu 120% frente ao crescimento de 55% do mercado;
4. Na 16ª semana a Companhia cresceu 337% frente ao crescimento de 155% do mercado;
5. Na 17ª semana a Companhia cresceu 383% frente ao crescimento de 127% do mercado.

Ações Via Varejo – confira alguns dados

A empresa possui atualmente 1.300.016.941 ações ordinárias no mercado (VVAR3). Em 26 de novembro de 2018, todas as ações preferenciais da Via Varejo – VVAR4, foram convertidas em ações ordinárias (VVAR3) e seu programa de Units foi encerrado, concluindo assim, sua mudança na listagem da B3 – Brasil, Bolsa, Balcão.

Confira na tabela abaixo a composição acionária da Companhia:

Ou clique aqui para ver!

Mas afinal, vale a pena investir?

Bem, em vista dos números positivos do relatório do primeiro trimestre, o surpreendente crescimento de vendas online frente à desaceleração geral de vendas online e offline da maioria das empresas, investimentos em marketing, logística e serviços digitais, tudo leva a crer que o momento parece sim favorável para as ações da Via Varejo.

Veja a seguir a opinião do analista de varejo da Xpi.com, Pedro Fagundes, que sustenta que o momento é favorável para compra das Ações da Via Varejo, confira:

“Em meio à crise desencadeada pelo coronavírus, a Via Varejo tem se destacado como uma das companhias que tem conseguido fortalecer a sua operação de e-commerce. Nesta manhã (27 de abril), foram realizados dois anúncios positivos relacionados ao assunto: (i) a aquisição da ASAPLog, uma empresa de logística focada em entregas para e-commerce, e (ii) a continuidade do crescimento exponencial de número de usuários ativos dentro dos aplicativos da companhia, segundo notícias divulgadas pela mídia.”

“A normalização gradual das vendas também deve minimizar as preocupações de parte dos investidores em relação à geração de caixa da empresa ao longo dos próximos meses. Em relação a esse tópico, também ressaltamos que os pagamentos do crediário da companhia também têm surpreendido positivamente, com cerca de 50% dos vencimentos de abril sendo pagos, mesmo após a empresa ter postergado os mesmos. Dessa forma, reiteramos a nossa recomendação de Compra para as ações da Via Varejo”.