Giro econômico da Semana – (26/10)

Giro econômico da Semana – (26/10)

Análise do Boletim Focus

Na última quinta-feira (22/10) o governo criou um pacote de medidas de desburocratização para a área trabalhista.

O pacote que está sendo chamado de Descomplica Trabalhista, inclui mudanças no e-social e também uma norma de segurança do trabalho para o setor agrícola.

Além disso, o pacote também revoga 48 portarias da área que são consideradas obsoletas. Com isso, o governo espera estimular a economia.

Por conta do anúncio desse pacote, houve uma melhora nas previsões do PIB nessa semana, sendo que o destaque negativo continua com a inflação.

Quer saber mais? Confira a nossa análise do Boletim Focus publicado nesta segunda-feira, 26 de outubro.

Crescimento do PIB

As projeções de retração do PIB melhoraram consideravelmente nesta semana. Indo de 5,00% para 4,81% negativo.

Há quatro semanas atrás, a estimativa era de que o PIB fosse fechar o ano em -5,04%. 

Portanto, é possível ver que nesta semana houve uma melhoria de quase 20% nas projeções, mostrando um otimismo maior em relação ao Brasil.

O anúncio do pacote de desburocratização da área trabalhista foi bem aceito pelo mercado, e por isso houve essa melhora significativa nos números do PIB.

Para 2021, no entanto, a expectativa de crescimento continua piorando.

Ela saiu de 3,47% para 3,42%. Essa já é a segunda semana seguida de projeções de queda no crescimento do ano que vem.

Para 2022 o mercado continua acreditando em um crescimento de 2,5%.

Inflação

Se por um lado, as projeções do PIB estão melhorando, por outro as projeções da inflação seguem piorando.

O IPCA segue crescendo, e em quatro semanas saltou de 2,05% para 2,99%.

O índice ainda está dentro da meta traçada para o ano, no entanto, o seu crescimento nos últimos meses acende o sinal de alerta.

E se o IPCA já preocupa, o IGP-M está tirando o sono de muita gente.

O índice, que em abril estava perto de 6,68%, saltou para 19,72% na projeção da última semana.

Antes de mais nada, é preciso saber que o motivo para o IGP-M estar tão alto, está na metodologia usada no índice.

Desse modo, o IPCA considera nove categorias de produtos e serviços que refletem o hábito de consumo de 90% das famílias brasileiras.

Já o IGP-M, diferente do IPCA, é composto por uma média aritmética de mais três índices:

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC).

Por conta da desvalorização do real, muitas commodities que são cotadas em dólar aumentaram o preço, impactando no índice.

Além disso, o setor de construção civil segue aquecido, o que justifica o aumento do preço em alguns produtos que compõem o INCC.

Esse aquecimento da construção civil se dá pelo fato dos juros estarem favoráveis tornando-se atrativo tanto para investimento quanto para financiamento de imóveis.

Portanto, a explicação para o crescimento acelerado do IGP-M é a desvalorização do real, e o aquecimento de setores como construção civil.

Para quem tem contratos de aluguel, o momento requer atenção, visto que a maioria dos contratos são corrigidos pelo IGP-M.

Taxa de juros e Taxa de Câmbio

Se por um lado a inflação segue piorando, por outro, a projeção para a Taxa Selic continua estável na semana, e deverá fechar o ano em 2%.

Para 2021 o mercado aumentou as projeções, e está acreditando em uma Selic um pouco mais alta, em 2,75%.

Para 2022 as projeções da Selic continuam em 4,5% mostrando uma trajetória de crescimento no médio prazo.

O câmbio, por sua vez, está mostrando um crescimento acentuado no curto prazo.

Há quatro semanas atrás, o mercado estava projetando que o dólar iria fechar 2020 cotado em R$ 5,25.

Na semana passada, esse valor subiu para R$ 5,35 e nesta semana saltou para R$ 5,40.

Portanto, a desvalorização segue em uma trajetória crescente.

Dessa forma, o cenário continua favorável para a exportação, assim como para investimentos em fundos internacionais.

Produção Industrial

Já a projeção para a Produção Industrial segue apresentando uma melhora pequena.

Há quatro semanas as projeções eram de queda de 6,30% e nesta semana caíram para 5,90%.

Portanto, é possível notar que esse foi um dos setores mais afetados pela pandemia, e por isso, deverá demorar mais para se reerguer.

Já em relação aos investimentos diretos feitos no país, a expectativa se manteve em US$ 50 bilhões nesta semana.

Isso mostra que o mercado ainda segue cauteloso no apetite por investimentos. Até porque ainda há muita instabilidade no cenário mundial.

Bitcoin e criptomoedas

O Bitcoin está indo na contramão da economia e continua sendo indicado para compra de acordo com os indicadores de média móveis.

A criptomoeda cresceu de maneira exponencial nesta última semana.

Na sexta-feira (16) um BTC estava avaliado em aproximadamente R$ 64.000.

Já na última sexta-feira (23)  ele superou o valor de R$ 73.000.

Esse foi um crescimento de aproximadamente 14% em apenas uma semana.

No acumulado dos últimos 20 dias, o crescimento já ultrapassa os 20%.

Portanto, por se tratar da principal criptomoeda do mundo, é possível que o Bitcoin vai puxar junto a cotação das demais criptomoedas.

Portanto, em um cenário de inflação alta e de incertezas macroeconômicas, as criptomoedas vêm se mostrando uma boa alternativa de investimento.

Esse foi o nosso giro econômico da semana.

Trazendo expectativas sobre investimentos e cenários futuros.

Fique ligado que semana que vem tem mais.