Giro econômico da Semana – Análise do Boletim Focus (23/11)

Giro econômico da Semana – Análise do Boletim Focus (23/11)

Na manhã desta segunda-feira (23/11) o Banco Central divulgou o Boletim Focus da semana, e o destaque foi para o aumento na projeção da Taxa Selic para 2021.

Até então, as projeções para 2021 eram de que a Taxa Selic seria de 2,75%. Agora o mercado já prevê que a taxa básica de juros fique em torno de 3% no ano que vem.

Por outro lado, a previsão do PIB para 2020 melhorou. E desse modo, o mercado diminuiu as projeções do rombo de -4,66% para -4,55%.

Essa é a segunda semana seguida que o mercado melhora as projeções para o PIB neste ano de 2020. Além disso, as projeções para o PIB também melhoraram para 2021.

Quer saber mais? Confira a nossa análise do Boletim Focus publicado nesta segunda-feira, 23 de novembro de 2020.

Crescimento do PIB

As projeções de crescimento do PIB melhoraram nesta semana e passaram de -4,66% para -4,55%. Para 2021 o mercado também melhorou as projeções. Dessa forma, o crescimento apontado para o ano que vem saltou de 3,31% para 3,40%. 

No entanto, é preciso salientar, que as projeções  para 2021 ainda poderão sofrer oscilações, visto que uma possível segunda onda do Covid-19 pode abalar a economia mundial.

Sendo assim, as previsões para o PIB do próximo ano seguem bastante incertas, e podem tanto melhorar quanto piorar ainda. Contudo, o que é possível ver no momento é que a economia brasileira está aos poucos saindo do recesso.

Inflação

O mercado financeiro continua ainda aumentando a estimativa para a inflação neste ano de 2020, ligando o sinal de alerta na equipe econômica. Nesta semana, as projeções para o IPCA saltaram de 3,25% para 3,45%. Há quatro semanas, as projeções eram de 2,99%.

O mesmo movimento pode ser acompanhado no IGP-M. Afinal, na semana passada o mercado projetava que o indicador fosse fechar o ano em 21,21%. Nesta semana as projeções subiram para 22,86%.

Essa inflação apurada pelo IGP-M é bastante preocupante. E reflete o crescimento de preços de forma bastante agressiva de alguns setores da economia. 

Antes de mais nada, é preciso saber que o motivo para o IGP-M estar tão alto, está na metodologia usada no índice.

Desse modo, o IPCA considera nove categorias de produtos e serviços que refletem o hábito de consumo de 90% das famílias brasileiras. Já o IGP-M, diferente do IPCA, é composto por uma média aritmética de mais três índices:

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC).

Assim sendo, por conta da desvalorização do real, muitas commodities que são cotadas em dólar aumentaram o preço, impactando no índice.

Além disso, o setor de construção civil segue aquecido, o que justifica o aumento do preço em alguns produtos que compõem o INCC.

Dessa forma, alguns segmentos estão sentindo uma inflação jamais vista nos últimos 20 anos. E isso vem preocupando a equipe econômica.

Taxa de juros e Taxa de Câmbio

Para 2020 o mercado continuou projetando a Taxa Selic em 2%. No entanto, para 2021 já há uma expectativa de que a taxa básica de juros chegue em 3%.

Isso acontece porque a inflação está parecendo sair de controle. E para evitar um crescimento ainda maior, o Copom deve elevar a Selic para tentar desacelerar o consumo.

Por outro lado, as projeções para o câmbio continuaram melhorando, o que pode minimizar o crescimento da inflação no longo prazo. A expectativa vinha de desvalorização crescente do real frente ao dólar.

No entanto, na semana passada, após as eleições americanas, o real se valorizou frente à moeda americana. E pela primeira vez o mercado mudou as projeções do câmbio que vinham de desvalorização crescente.

Agora a expectativa é que o dólar vire 2020 contado a R$ 5,38 e que para 2021 o real se valorize mais um pouco sendo cotado a R$ 5,20.

Produção Industrial

Com o câmbio melhorando, a projeção para a produção industrial também melhorou. Na semana passada, elas eram de -5,34%.

Nesta semana o mercado reviu as projeções, e agora acredita que a produção industrial brasileira irá encolher 5,04%. Há quatro semanas a queda era estimada em -5,90%.

Portanto, apesar de cauteloso, o mercado financeiro já vem melhorando as projeções para a indústria nacional que sofreu um forte impacto com a pandemia de Covid-19.

Já em relação aos investimentos diretos feitos no país, a expectativa piorou. Agora o mercado acredita que os investimentos serão de US$ 45 bilhões neste ano.

Isso mostra que a economia mundial ainda segue bastante incerta e que o apetite por investimentos ainda é bem pequeno.

Bitcoin e criptomoedas

Se por um lado, a economia ainda segue incerta, por outro o Bitcoin tornou-se a bola da vez para os investidores. Inclusive, nesta última semana a criptomoeda chegou a ser cotada acima de R$ 100 mil na sexta-feira (20).

Na comparação com a cotação de R$ 89 mil na sexta-feira (13), o crescimento foi superior a 10%. E no ano, a criptomoeda já acumula um crescimento acima de 200%.

Considerando o cenário com inflação alta, câmbio desvalorizado e incertezas mundiais, o Bitcoin está se mostrando uma excelente opção de investimento.

Afinal, a criptomoeda somente é afetada pela lei da oferta e procura e qualquer decisão macroeconômica não tem o poder de interferir na sua cotação.

Esse foi o nosso giro econômico da semana trazendo expectativas sobre investimentos e cenários futuros. Fique ligado que semana que vem tem mais.